Sua Excelência o Primeiro-Ministro Morgan Richard Tsvangirai  irá liderar a delegação do Zimbabué no Fórum pan-Africano de AgriBusiness 2011, que será realizado em Joanesburgo, África do Sul, de 16 a 19 de Outubro. Este evento será organizado pela EMRC em parceria com o PNUD e terá como tema central "O desenvolvimento do setor agrícola de África através da promoção do setor privado”.

No âmbito da preparação do Fórum, a EMRC colocou algumas questões a Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro do Zimbabué, Dr. Tsvangirai:

EMRC: Desde que foi nomeado primeiro-ministro da República do Zimbabué, quais foram as suas prioridades para relançar a economia e trazer prosperidade ao seu país?

S.E. Morgan Richard Tsvangirai:  A estabilidade económica do Zimbabué tem muitas dimensões, as quais são fundamentais para o renascimento da economia do país. Ao ser estabelecido, o GNU (Governo de Unidade Nacional) implementou reformas macro-económicas, incluindo o regime de multi-moeda, que imediatamente trouxe a inflação para 3%. A recuperação económica tornou-se possível e o PIB cresceu a uma taxa de 5,7% durante 2009, apesar do apoio internacional limitado nas linhas de crédito ou financiamento orçamental. A utilidade média da capacidade industrial aumentou de menos de 10% no quarto trimestre de 2008 para cerca de 35% até final de 2009.

O GNU tem sido fundamental na redefinição do papel do Banco de Reserva do Zimbabué (BRZ) no que diz respeito à sua relação com o Ministério das Finanças. O BRZ tinha sido envolvido com outras atividades que não tinham nada a ver com seu papel de supervisão do sistema monetário do país, e isso viu uma grave deterioração do sistema bancário, entre outras deficiências.

Na agricultura, a recuperação tem sido lenta. Este setor é responsável na contabilidade da economia do país por 19% do Produto Interno Bruto (PIB) e 26% das receitas de exportação, empregando 0,5 milhões de pessoas, na produção de algodão, tabaco e horticultura contribuindo com 30% das receitas de exportação. No entanto, tem sido difícil financiar a agricultura devido a uma fraca reforma agrária e a um reassentamento da terra ao acaso. O país precisa de ajudar os agricultores no que diz respeito a inputs para os agricultores de pequena escala, até que o setor agrícola comercial seja organizado ou reestruturado e que  permita aos agricultores pedir dinheiro emprestado a utilizar a terra como garantia.

O GNU tem sido fundamental para a reabertura de hospitais e escolas, abastecimento de água melhorada, e especialmente na luta contra a cólera, que eclodiu no final de 2008 e viu mortes registradas em muitas partes do país. No sector da educação, o GNU imprimiu 13 milhões de livros com a ajuda da UNICEF.

Neste momento, o GNU atingiu níveis de estagnação. As linhas de crédito ainda não foram disponibilizados a fim de aumentar o comércio e a indústria. A economia do país teve por base uma estratégia de substituição de importações devido às sanções aplicadas durante  o regime Smith. Isso tem de mudar de forma a acomodar outras estratégias de crescimento que são relevantes e inclusivos, mas o investimento e recapitalização de equipamentos e itens são necessários para alcançar este objectivo.

EMRC: Na Europa,  durante a sua visita oficial em Junho de 2009 e noutras intervenções suas em África, os investidores acolhem com a maior satisfação a possibilidade de relançar parcerias de cooperação internacional com seu país. Na sua opinião, quais são os setores da economia que necessitam de investimentos estrangeiros e assistência técnica?

MRT: Cada setor da economia precisa de assistência: educação, saúde, infra-estruturas, mineração, agricultura, indústria, turismo, criação de emprego... Nós sabemos ao certo tudo precisa de ser feito no Zimbábue neste momento. O país necessita de parceiros e investidores estratégicos, a fim de avançar para  um caminho sustentável.

EMRC: Depois de anos de turbulência, o governo está a implementar reformas políticas e económicas, que estão a contribuir para um crescimento económic, que ainda que moderado,  se tem repercutido em todos os setores. A agricultura contribui com menos de 20% para o PIB do Zimbabwe, como pensa passar de uma situação de crise para segurança alimentar no seu país?

MRT: O governo  deve abordar questões como a da posse de terra para permitir que os agricultores possam pedir esmpréstimos tendo por base o seu património agrícola . Tem que ser aumentada ou racionalizada propriedade da terra no país. Há a necessidade de ser aumentada a produtividade da terra, a fim de passar da situação de crise alimentar à de segurança alimentar. Embora o Zimbábue já tenha sido considerado o "celeiro" da África Austral, a grave escassez de alimentos após o programa de reforma agrária têm desafiado essa posição. Entre outras questões de política agrícola, o Governo deve criar um Banco da Terra que vai dar empréstimos aos agricultores com taxas de concessionárias, a fim de aumentar a produtividade. Serviços de extensão e de formação devem de ser melhoradas. Por outro lado, o Ministério das Finanças está em processo de racionalização do sistema de uso de terras durante 99 anos  como garantia para permitir que os agricultores possam pedir dinheiro emprestado. Mas é necessário ainda mais para reformar o setor agrícola no país, incluindo até mesmo a distribuição periódica de fertilizantes. Muitas vezes, estes são disponibilizados tarde, o que faz com que a produção seja iniciada de uma forma tardia e que pode ter como consequência  quebras nos rendimentos e colheitas.

EMRC: V. Exa irá líderar a delegação do seu país no Fórum EMRC-PNUD AgriBusiness 2011 que terá lugar em Joanesburgo de 16-19 de Outubro.  Qual é o propósito da sua presençaneste evnento  e que mensagem gostaria de enviar à comunidade internacional?

MRT:  O objetivo é abordar com a comunidade internacional temas como a extensão da terra e a crise alimentar. Precisamos de dialogar,  porque a questão da terra é uma realidade  e necessitamos de saber o que pode ser feito para  a trazer de volta á produtividade. O Zimbabwe precisa de apoio da comunidade internacional para racionalizar a questão da terra e para lidar com a questão da compensação aos agricultores que perderam as suas fazendas. Os agricultores deve unir-se em torno de uma plataforma separada para que se possa avançar sobre esta questão. A plataforma também será utilizada para comunicar as possibilidades de investir a nível agrícola no Zimbabué. A agricultura é a espinha dorsal da economia deste país e como tal deve ser apoiada.  

EMRC: Hoje e depois de cinco anos de turbulência, há um governo de coligação no Zimbábue e uma luz ao fim do túnel . Qual é o futuro merece o seu país e que papel poderá ter no desenvolvimento económico da região da SADC ?

MRT: O povo do Zimbábue precisa de esperança. Há necessidade de se afastar da atual transição, ou seja, precisamos de resolver a crise política atual, e impulsionar a economia para melhorar a vida das pessoas. O Zimbabwe é dotado de pessoas muito capazes, bem como de recursos naturais. Em termos de comércio, o Zimbabwe é o centro logístico da região da SADC e esta posição precisa mantida e maximizada para o crescimento económico,o que terá um impacto positivo para as pessoas.