Munira Jauad participou no Fórum AgriBusiness 2011, que teve lugar na África do Sul. No seguimento desta participação, contactamos com ela para sabermos mais sobre o seu bem sucedido negócio e os benefícios de ter participado nos Fóruns EMRC. Leia a entrevista completa abaixo.

EMRC
: Como e quando foi fundada a Rumo? Fale-nos um pouco acerca da sua empresa.

Munira Jauad: A Rumu é uma empresa familiar criada em 1996 e que chegou a ter um volume de negócios superior a 1 milhão de dólares entre o periodo 1996-1998 graças á exportação de grandes quantidades de castanha de cajú.·

Com início da guerra civil, coube aos empresários gueneenses de financiar o conflito armado, sendo que como consequência da instabilidade política acabaram por ver as suas produções saqueadas.· A partir do fim da guerra a Rumu começou a retomar o seu negócio maioritariamente com empresários indianos e a partir de 2003 voltou a poder financiar-se em consequência do regresso do sector bancário ao país.

Após uma pausa na minha actividade empresarial entre 2006 e 2011 – durante a qual desempenhei funções de Embaixadora da Guiné-Bissau na Gâmbia – voltei a reabrir actividade, direcionando-me para a exportação de manga e de castanha de cajú, áreas de negócio que têm vindo a ser apoiadas por alguns programas de desenvolvimento. Queremos posicionar a nossa exportação para os mercados Europeu e Americano.

EMRC:  Porque escolheu posicionar-se nesse mercado?

MJ: Queremos posicionar-nos nestes mercados porques estes são os consumidores tradicionais destes produtos, e porque em África o nosso poder de compra não nos permite ter acesso a este tipo de bens. A indútstria transformadora de chocolate, cereais, gelados é uma grande compradora de cajú, sendo que a vantagem concorrencial do nosso produto relativamente aos outros países produtores é a sua elevada produção (200 amêndoas / kg) e a sua época de produção mais extensa.

Há ainda a localização geográfica que joga a favor da Guiné Bissau, que se localiza apenas a 3h.30m da Europa.

EMRC: Como vê o ambiente de negócios da Guiné-Bissau para a PMEs?

MJ: Temos notado melhorias substanciais a nível de estabilidade política, dados que os militares e políticos neste momento falam a uma só voz. O que se pode ver pela união da nação após a morte do nosso Exmo Presidente Malam Bacai Sanha.

Este é um factor que dá confiança ao setor empresarial e também a instituições como o Banco Mundial, que juntos podem unir esforços com vista ao desenvolvimento da Guiné Bissau.

Felizmente várias instituições internacionais se tem deslocado à Guiné Bissau com o intuito de disponibilizarem fundos que nos permitam desenvolver e direccionar os nossos negócios a longo prazo.

EMRC: Que obstáculos se depara perante a exportação para a UE, enquanto empresa africana?

MJ: O grande obstáculo que nós enfrentamos é a certificação dos produtos. Contudo, a UE financiou a construção de um laboratório que nos permitirá efectuar este procedimento. A segunda barreira que enfrentamos é a escassez de financiamento.

EMRC: Que conselho daría aos empresários do sector PME na Guiné Bissau?

MJ: O meu conselho para os empresários da Guiné Bissau é a aposta na transformação dos nossos produtos. Devemos unir esforços para que juntos possamos recusar a exportação da matéria-prima e assim promover a criação de pequenas e médias empresas que que possam reduzir a elevada taxa de desemprego na Guiné Bissau. Deixo um alerta aos empresários da Guiné Bissau para não deixarem apodrecer as suas produções e para serem responsáveis na gestão das suas empresas.

EMRC: Quais são as previsões nos próximos 5 anos a nível de crescimento da sua empresa?

MJ: Estou muito optimista. Neste momento tenho uma empresa com capacidade de armazenamento de 3000 toneladas e no futuro queremos aumentar esta capacidade para 6000 toneladas. 

A nossa ambição para os próximos 5 anos é emportarmos 5000 toneladas de castanha de cajú e de Manga e guardarmos uma tonelada para transformação.

EMRC: Segundo a sua opinião, que importância tem e que benefícios existem na participação por parte de empresas africanas nos Fóruns EMRC?

MJ: É muito bom poder participar nestes eventos internacionais porque nos permitem estabelecer contactos com instituições e empresários. A prova disso é que graça á participação no último Fórum Agribusiness 2012, em Joanesburgo, eu fiquei em contacto com um importador inglês. No seguimento desse contacto ficou o interesse de se deslocar à Guiné Bissau para conhecer melhor a minha empresa e há a perspectiva de estabelecermos uma parceria de negócios.

Porém, não é qualquer empresário que pode arriscar o seu dinheiro na participação e deslocação a um evento desta dimensão, sendo por isso que gostaria de alertar as Organizações Internacionais de apoio ao desenvolvimento para criarem fundos que permita aos empresários locais com potencial, mas sem grandes meios próprios, a participar em eventos internacionais de negócios com mais frequência.