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Quais são as projecções que faz sobre o sector das
PMEs em África para os próximos anos?
Robert Zegers:
Um sector
privado activo, especialmente no sector das PMEs, é essencial para um
crescimento económico sustentável e no combate à pobreza. As PMEs são a
estrutura do sector privado e representam 97 a 99% do tecido empresarial, gerando
mais de 90% dos postos de trabalho no sector empresarial. As pesquisas
demonstram ainda que na maioria dos casos o sector das PMEs supera as empresas
públicas (EPs) em volume de negócios global, bem como quanto ao valor agregado
e nas exportações. Deste modo, o investimento no crescimento e desenvolvimento das
PMEs, na maioria dos casos, é a única perspectiva realista de um aumento
significativo e rápido do emprego e do crescimento económico. Assim sendo, um
acesso facilitado ao financiamento e a serviços de apoio empresarial é imperativo.
Com (1) a melhoria das condições para se fazer
negócios em África, (2) o aumento da participação deste Continente na economia
global, (3) o despertar do sector das PMEs enquanto líderes empreendedores da
economia local, apoiados por (4) fluxos de remessas e pelo (5) aumento do apoio
da Banca ao sector das PMEs, as expectativas são de que muitas PMEs informais
poderão participar progressivamente na economia formal com maior força e
empreendedorismo, criando um nível de competitividade mais elevado entre as
empresas de médio porte, que actualmente é practicamente inexistente e que se
caracteriza por "Missing Middle”. À medida que o sector das PMEs cresce, vai-se
integrando também na economia e tornando-se parte da cadeia de valor das
grandes empresas Africanas. Neste processo,o sector das PMEs Africanas irá
acompanhar as tendências registadas noutros Continentes, onde as PMEs acabam
por formar gradualmente a base das economias em termos de criação de emprego e
de contribuição para o PIB.
EMRC:
Quais são os principais desafios ao crescimento das
PMEs e como podem ser ultrapassados?
RZ:
Os desafios no sector das PMEs são múltiplos e incluem, por exemplo, o
registo, as restrições ao licenciamento, as questões de tributação, as
limitações de infra-estrutura, questões de execução dos contratos, falta de
acesso ao financiamento, inexistência de registos de garantia e instituições de
crédito. Estes e outros desafios podem ser ultrapassados através do esforço
conjunto de instituições representativas do governo e do sector privado (PMEs)
na identificação e reacção aos condicionalismos específicos nacionais.
Políticas específicamente direccionadas para as PMEs, melhores condições
tributárias, lojas/gabinetes únicas(os) para PMEs oficializadas, Instituições
de crédito privadas munidas de informações sobre as PME e apoiadas por leis que
exijam aos bancos partilhar informações sobre créditos, o aumento da
concorrência entre bancos e iniciativas de instituições financeiras ao serviço do
sector das PMEs são necessários para que se possa altrapassar os desafios que
se colocam às Pequenas e Médias Empresas. Todas as partes terão de trabalhar
conjuntamente e assumir todas as responsabilidades. As Instituições
Internacionais devem ajudar através do financiamento e do apoio técnico no
decorrer do processo. A troca de informações sobre "as boas práticas” ajudarão
também a disseminar estas ideias.
EMRC:
Na sua opinião, que papel deve ter o BAD no
desenvolvimento do sector das PMEs Africanas?
RZ:
Embora os Investidores Directos
Externos (IDFs), incluíndo o BAD, tenham
proporcionado alguns importantes recursos, entre os quais os LoCs para
as Fls locais e apoio ao desenvolvimento de serviços BDS, muito precisa ainda
de ser feito. A solução sustentável é o desenvolvimento dos setores financeiros locais
e da capacidade dos bancos para apoiar o sector das PMEs. As actividades como o
factoring, leasing e franchising e as necessidades de expansão do mercado das
PMEs necessitam de financiamento e capital próprio. África tem ainda
necessidade de despertar nos jovens um sentido empreendedor, por exemplo
através da introdução de formação para o empreendedorismo nos currículos
escolares de nível secundário. Afinal, as PMEs são criadas e geridas por empresários.
A visão do BAD no que diz
respeito ao sector das PME é o de reforçar o apoio de forma eficiente e efectiva,
para poder chegar a um número muito maior de pequenas empresas. Acreditamos que
podemos trazer mais valor para os mercados locais, ao criar parcerias com
outros financiadores, governos, instituições financeiras e organizações
representativas de empresas locais. O setor financeiro precisa de mais de factoring, leasing e soluções de
financiamento mezzanine. E é aqui que o BAD pode desempenhar um papel
catalisador e ajudar a criar um efeito de demonstração para apoiar uma série de
modelos de negócio em África. Financiamento e prestação de apoio técnico, conjuntamente
com as parcerias certas ajudarão a introduzir mais instrumentos financeiros.
Quanto ao financiamento bancário, o BAD pode fornecer maior número número de
linhas de crédito a bancos locais e ao mesmo tempo, ajudar ao reforço das
capacidades dos bancos para providenciar empréstimos ao sector das PMEs.
Notações de Crédito, gestão de relacionamento com PMEs e sistemas de gestão de
clientes representam alguma da Assintência Técnica (AT) que os bancos
necessitam. O Apoio ao desenvolvimento de negócios através da prestação de
consultadoria é também fundamental para o sector das PMEs, e do BAD vai continuar a integrar este
princípio nos seus planos de apoio às PMEs. O Banco vai trabalhar com seus
parceiros para resolver as limitações locais e criar um ambiente favorável para
a criação de PMEs.
EMRC:
Foi estabelecido recentemente um Fundo de
Garantia Africano em colaboração com a Dinamarca. Qual é o objectivo deste
fundo e que resultados esperam obter detes novo projecto?
RZ:
O FAG é uma iniciativa
inovadora Africana que permitirá que os Bancos locais e outras Instituições
Financeiras (IFs) possam obter informações sobre PMEs e garantias. Um registo
de garantias permitirá a partilha do risco que as instituições financeiras
locais assumem quanto às PMEs-alvo, permitindo deste modo a entrada neste
segmento. Esta será acompanhada de assistência técnica (AT) que apoiará os
bancos a criar as estruturas, mecanismos e produtos necessários para o mercado das
PMEs. O sistema de Garantias Móveis permitirá às IFs obter liquidez disponível
e a longo prazo, as quais podem posteriormente ser utilizadas para fornecer
empréstimos ao sector das PMEs. Em suma, este fundo será importante para
auxiliar as instituições financeiras e para fazer face à percepção de risco
real e concreto no sector das PMEs, bem como para aumentar o crédito às PME
locais a melhores prazos.