Tim Turner:
A visão do Banco sobre o desenvolvimento do sector privado tem base no
enquadramento conceptual para o impacto de desenvolvimento que estabelece a
ligação entre o empreendedorismo investimento, e crescimento económico com o
objectivo final dos Bancos de combate à pobreza. Dada a importância do
Departamento do Sector Privado (DSP) como o motor da redução da pobreza e
desenvolvimento económico, os Bancos articularam uma estratégia de intervenção
de 5 prioridades de desenvolvimento local:
(i) melhorar o ambiente de investimento, (ii) apoiar o sector privado,
(iii) fortalecer o sector financeiro, (iv) construir infra-estruturas
competitivas, e (iv) promover o comércio.
A nossa estratégia é construída na vantagem comparativa de ter todo o espectro
de instrumentos financeiros, soberano, concepcional e não soberano sob o mesmo "telhado”.
O
Departamento do Sector Privado do Banco lidera investimentos catalisadores de transacções
do sector privado através de uma variedade de instrumentos sem uma garantia
soberana, inclui empréstimos, linhas de crédito, garantias, investimentos equitativos
ou semi-equitativos, e assistência técnica. Estas intervenções são levadas a
cabo por empresas privadas, instituições financeiras, ou empresas do estado e
em parceria com outras organizações orientadas para o desenvolvimento de forma
a atrair outros investidores ao criar uma forte demonstração de efeito. O Banco
procura tirar a máxima vantagem da sua posição única neste interface entre o sector público e privado de forma a maximizar o
impacto do desenvolvimento do DSP.
EMRC:
Quais
são as suas expectativas para Fórum PMEs
BAD-EMRC 2011?
TT:
Este
Fórum possibilita uma oportunidade única de juntar uma audiência de África e de
todo o mundo, activa de várias formas no mercado das PMEs, e para partilhar e
aprender mais acerca dos modelos de melhores práticas de apoio às PMEs.
O
Fórum foca-se em particular no sentido das "P” das PMEs, empreendedores que que
necessitam financiamento entre 40,000 US$ a 1 milhão US$, e que não são
elegíveis para empresas de micro finanças ou comuns financiamentos equitáveis. Isto
é indiscutivelmente a última falha financeira the que precisa ser resolvida. Em
África a falha do sector das Pequenas e Médias empresas é um fenómeno que
particularmente acentuado, e o acesso ao financiamento para este grupo alvo é
baixo quando comparado igualmente com outros continentes. O Fórum irá
apresentar as melhorar modelos financeiros e mecanismos de apoio não financeiro,
tanto em África como noutras partes, onde outros bons exemplos existem. O
objective é demonstrar perante esta audiência o que tem sido feito de uma forma
bem sucedida e que pode ser feito ainda de uma forma melhor para atender as
necessidades o sector dos pequenos negócios. Exemplos de abordagens inovadoras
de financiamentos bancários para as PMEs de leasing, financiamento mezzanine, assim como mecanismos de
suporte como esquemas de garantias de crédito, baseado nos instrumentos de
avaliação dos riscos do cliente não colaterais, registo de regimes de registo
colaterais, gabinetes de apoio de crédito às PMEs, incubadoras de negócios e
serviços de desenvolvimento de serviços, reformas legais e reformatórias, os
processos irão ser apresentados e debatidos através de sessões plenárias e
workshops, permitindo que o público retire conhecimentos importantes sobre o
que funciona e como pode ser feito. Praticantes em diversos sectores serão
capazes de transformar esse conhecimento em realidade no seu próprio contexto, e
terão a oportunidade de conhecer, pelas sessões B2B de reuniões personalizadas e
no contexto do Marketplace, outros peritos e praticantes estabelecendo uma rede
de contactos útil para apoiar o desenvolvimento do seu trabalho. Deste
modo o Fórum é uma importante oportunidade para partilha de conhecimento e
experiências com as PMEs e sobre apoios financeiros e não financeiros e irá
contribuir para nos dedicarmos ao problema da lacuna que existe no sector das
PMEs.
EMRC:
Quais
são os principais sectores alvo para o sector privado desempenhar um papel no
desenvolvimento de África e porquê estes sectores?
TT:
Infoestruturas são essenciais
para o crescimento do sector privado do continente constituindo umas das
principais prioridades estratégicas. Segundo estimativa do Consorcio de
Investimentos para África e o Banco Mundial a necessidade de investimento em infra-estruturas
no continente está estimada em cerca de US$90 -100 biliões por ano nos próximos
dez anos. Estruturas inadequadas e pobres são responsáveis de cerca de 2% de
redução do PIB per capita no
continente. De acordo com as prioridades do MTS, o BAD investiu US$ 13,5
Biliões através de empréstimos concedidos tanto pelo sector Público como pelo
Privado durante os últimos três anos, ajudando a colmatar a falta de
infraestruturas nos sectores da Energia, Transportes, ICT e Águas em África.
Foi
dado un ênfase particular na redução do déficit de energia, que atraiu 50% do
financiamento do financiamento de insfraestruturas concedido pelo Banco, tendo
sido identificadas várias necessidade e oportunidades de negócio. No entanto, o
reforço da capacidade dos governos para planear, projectar e propor novos
projectos é um requesito fundamental para que se possa fazer destas
oportunidades um investimento rentável.
O
Banco está a encetar esforços no sentido de apoiar empresas privadas de todas
as dimensões, desde micro-empresas a conglomerados empresariais provenientes de
países de rendimento baixo e médio. Dada a diversidade e quantidade de MPMEs
(Micro, Pequenas e Médias Empresas), tem vindo a apoiar estas entidades através
dos seus diversos canais de financiamento entre os quais se contam linhas de
crédito em moeda local ou mecanismos de garantia combinados com donativos que
possibilitem um melhor aconselhamento técnico e formação. Estas entidades são
ainda apoiadas através do apoio dado por Associações Empresariais e pela
prestação de serviços de aconselhamento. Para empresas de maior cdimensão, o
BAD pode fornecer apoio financeiro directo, em parceria com outras Instituições
Financeiras.
Dada
a abundância de recursos naturais em África e a sua dependência da agricultura
como um importante contributo tanto para o PIB como para a redução da pobreza,
o BAD atribui uma importância especial no apoio ao sector primário,
particualmente através da criação de valor na scadeias de produção (produtos
minerais e agrícolas).
Por
último, o BAD defende ainda o comércio intra e inter-regional, auxiliando os
bancos locais a estabelecer relações com bancos estrangeiros e reforçando a
capacidade financeira das Instituições de financiamento do comércio local. A
promoção do comércio é uma das principais maneiras do banco poder apoiar o
desenvolvimento das PMEs locais e do sector agricola.
EMRC: Como se pode cooperar com os bancos comerciais indo
ao encontro das necessidades das PMEs?
TT:
A cooperação do BAD com os bancos
comerciais consiste na assistência para aumentar a sua capacidade de fornecer
serviços financeiros para as PMEs de várias maneiras, dependendo das
necessidades específicas dos bancos: em primeiro lugar, o Banco aplica a diversos instrumentos para bancos
comerciais, incluindo a dívida, a dívida sub-coordenada ou a criação de capital
que aumente a liquidez dos bancos comerciais e que permita o financiamnteo
destes às PMEs. Os aumentos de capital permitem aos bancos atrair liquidez necessária
para poiar as PMEs através das linhas de crédito, beneficiando tanto a entidade
bancária como o beneficiário do empréstimo. Embora não raras vezes os bancos
possuam liquidez, esta tende a ser de curto ou médio prazo, podendo por isso
oferecer financiamentos a prazos mais curtos. O BAD pode colmatar esta situação
fornecendo linhas de crédito a longo prazo e aumentando o valor dos empréstimos
concedidos às PMEs, permitindo-lhes investir e crescer. Os bancos comerciais
muitas vezes exigem melhores garantias de crédito para este sector, temendo o
risco e ineficiência próprios nos clientes com menos capacidade financeira. Neste
contexto, podemos dizer que existem bons modelos bancários destinados às PMEs,
o papel do BAD é ajudar os bancos e os seus clientes a adquirir os
conhecimentos necessários para se desenvolver.
Entre outras medidas, a criação balcões especialmente dedicados às PMEs, de
metodos de notação de crédito, plataformas de gestão de carteiras de clientes e
a partilha de informação entre as próprias PMEs, poderão ser factores que levem
ao desenvolvimetno deste sector. Foi recentemente desenvolvido em parceria com
os Governos Espanhol e Dinamarquês um fundo de garantia para África que será
capaz de auxiliar os bancos através da partilha do risco associado às carteiras
de clientes PMEs, potenciando ao mesmo tempo este segmento de mercado. O BAD
pode também apoiar a elaboração de mecanismos de apoio para pequenos e médios
empreendedores de alguns sectores-chave, auxiliando-os na apresentação dos seus
projectos aos bancos. Por último, o BAD pode prestar apoio através de parcerias
para resolver as contingências específicas a cada país, relacionadas com o
registo de garantias, informações de crédito, questões de licenciamento bem
como de regulamentação (lei de falência, execução de contratos, etc).
EMRC:
Segundo
o BAD, quais são as opções de financiamento mais interessantes quanto ao
financiamento das PMEs Africanas?
TT:
Há uma tendência clara e
perceptível para as instituições financeiras se envolverem no financiamento das
PMEs. Os bancos internacionais que operam em África estão a adoptar novas
alternativas para a garantia de crédito através de métodos inovadores de
notação. Os bancos locais estão a aumentar os seus apoios às PMEs e a aplicar
modelos de relacionamento financiador-cliente que permitam a manter um
empréstimo num nível sustentável. Modalidades de financiamento alternativas,
como por exemplo Equity Founds ou leasing são cada vez mais desenvolvidas em
África, e de locação financeira está se desenvolvendo muito rapidamente. O financiamento
ao comércio exterior está cada vez mais disponível para as PMEs, e o factoring está a começar a sair dos
mercados onde já existe (África do Sul e Egipto) e a ser introduzido noutros
países. Em geral há uma tendência para que os bancos redimensionem os seus
serviços, financiando PMEs e adoptando sistemas adequados à prestação de
serviços para este segmento de mercado, sem quie para isso tenham de fazer
mudanças necessárias nos mecanismos de entrega. Ao mesmo tempo, algumas
instituições de microcrédito têm conseguido fazer com que alguns dos seus
clientes consigam entrar no estatuto de PMEs, estando por isso a desenvolver
mecanismos de adaptação dos seus instrumentos de financiamento, reformulando seus
modelos operacionais. Estes esforços estão a ser complementados por governos
que tentam melhorar o ambiente empresarial das PMEs e reforçar as possibilidades
de fazer negócios, tornando assim mais fácil para as instituições financeiras
encontrarem o seu espaço no mercado das PMEs.